III.FATOR DE IMPACTO DE REVISTAS CIENTÍFICAS: QUAL O SIGNIFICADO DESTE PARÂMETRO?

A vontade de medir acompanha o homem desde muito tempo

e parece ter sempre estado na base do pensamento ocidental.

O problema da medida foi sempre central na ciência, culminando,

recentemente, com a medição da própria evolução e

atividade científica da ciência.

A partir da década de 60, surge uma nova área de estudo

referida como cienciometria, que foi definida como a área do

saber “que trata da análise de aspectos quantitativos referentes

à geração, propagação e utilização de informações científicas,

com o fim de contribuir para o melhor entendimento do mecanismo

de pesquisa científica como uma atividade social”

1

. A

principal ferramenta utilizada para os estudos de cienciometria

 

são os índices bibliométricos, geralmente obtidos a partir de

 

bancos de dados, onde parte da literatura científica mundial

 

produzida anualmente está catalogada. Um dos bancos de dados

 

mais utilizados na bibliografia especializada é o organizado

 

pelo

cienciometria é uma das principais razões pelas quais, hoje, se

 

dispõe de tantas informações quantitativas sobre a ciência e

 

porque se fazem tantas comparações sobre o desempenho científico,

 

seja de um país, de uma comunidade científica ou de

 

uma instituição..

No Brasil, os estudos cienciométricos iniciaram-se, com

 

Morel e Morel

 no início dos anos 90, quando alguns pesquisadores, principalmente

 

da área de Bioquímica, começaram a advogar a importância

 

de se levar em consideração o fator de impacto de revistas

 

científicas e o número de citações de pesquisadores na

 

avaliação pelos pares. Estes indicadores que, na época, estavam

 

sendo utilizados nos EUA, até como critérios de seleção

 

de cientistas e de professores pelas universidades americanas,

 

começaram a fazer parte do imaginário da ciência brasileira.

.

Como quase sempre acontece quando se inicia a discussão

 

de temas que permitem múltiplas interpretações, com o fator

 

de impacto das revistas e com o número de citações não foi

 

diferente. Há logo aqueles que acham que se está diante do

 

ovo de Colombo e os colocam como os únicos critérios de

 

avaliação de um projeto científico e estabelecem que um artigo

 

científico só tem valor se for publicado em uma revista com

 

alto fator de impacto. Por outro lado, há aqueles que acham

 

que a adoção da hierarquização de revistas científicas e do

 

número de citações de publicações científicas no julgamento

 

de projetos, bolsas de produtividade de pesquisa e avaliação de

 

cursos de pós-graduação é mais uma das muitas formas de

 

colonialismo cultural.

 

Como conseqüência dessa discussão, pelo menos uma

 

agência de fomento à pesquisa, o CNPq, começou a circular

 

oficiosamente entre as suas coordenações o número de citações

 

dos pesquisadores com bolsas de produtividade de pesquisa,

 

sem, entretanto, ter sido este critério adotado pelos

 

comitês assessores da agência nos julgamentos destas bolsas,

 

pelo menos na área da Química. A discussão sobre a freqüência

 

com que um pesquisador é citado ganhou importância

 

quando a Folha de São Paulo, no caderno

 

maio de 1995, publicou a relação dos 170 pesquisadores em

 

atividade no País com mais de duzentas citações na literatura

 

internacional, entre 1981 e 1993, feita a partir de uma base

 

de dados do ISI. Dois são os critérios principais para escolher

 

as revistas que compõem o banco de dados do ISI, a

 

periodicidade e o impacto da revista, que é medido pelo número

 

de citações de seus artigos em outras revistas. O grande

 

número de cartas recebidas e publicadas pela Folha de São

 

Paulo, durante algum tempo, após a publicação da lista dos

 

170, dá uma idéia do quanto o tema é polêmico. Esta discussão

 

extrapolou as fronteiras brasileiras e chega ao exemplo

 

jocoso, como pode ser visto pelo teor de algumas cartas que

 

foram enviadas à científicas do mundo. Nestas cartas chega-se a aventar a possibilidade

 

do número de citações dos autores ser influenciado

 

pelas letras iniciais de seus sobrenomes. Por exemplo, Darwin

 

seria um nome melhor do que Wallace ? Isto porque autores

 

com sobrenomes cujas letras iniciais começam pelas primeiras

 

letras do alfabeto teriam maior probabilidade de serem

 

mais citados do que aqueles cujos sobrenomes comecem pelas

 

últimas letras, já que muitas vezes é adotado o critério de

 

apresentação dos autores no artigo pela posição alfabética de

 

seus sobrenomes formal dentro das agências de fomento à pesquisa ou nas

 

Sociedades Científicas sobre a utilização destes indicadores

 

no julgamento de projetos de pesquisa, as comissões setoriais

 

de avaliação dos projetos submetidos ao PRONEX (Núcleos

 

de Excelência) tinham à sua disposição, nas mesas de trabalho o

 avaliação da CAPES, os comitês já adotaram oficialmente.

  

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