Política de Ciência e Tecnologia

A ciência debruça-se sobre o sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, de modo a estruturar o conhecimento através de pesquisas.

A tecnologia, no entanto, é um produto da ciência que envolve um conjunto de instrumentos, técnicas e métodos que visam a resolução de problemas. É uma aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas.

A Ciência e a Tecnologia são centrais na criação de uma economia e na sociedade do conhecimento. A Política de Ciência e Tecnologia tem como grande objetivo o desenvolvimento económico e social.

Vannevar Bush foi considerado como o santo patrono da ciência americana durante a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria. Em 1945 publicou um relatório “Endless Frontier” que iniciou uma idade de ouro na ciência americana e foi uma importante influência na  instituição da ciência nos Estados Unidos da América, a importância do seu argumento neste relatório contribuiu para a elaboração de uma política de ciência no período pós-guerra e  o seu trabalho para criar um relacionamento entre o governo  e a comunidade científica durante a 2ª Guerra Mundial mudou a forma como a pesquisa científica era realizada nos EUA e promoveu o ambiente no qual a internet foi criada mais tarde.

Os governos e as instituições europeias, as regiões, as agências financiadoras da investigação a nível nacional, os grandes laboratórios científicos europeus, a comunidade científica, a indústria, a banca, as universidades e as instituições de investigação são parceiros cuja aliança e ação conjunta se torna cada vez mais indispensável ao desenvolvimento científico europeu.

É necessário mais investimento público e mais investimento privado em Investigação e Desenvolvimento, assim como o desenvolvimento de políticas de recursos humanos qualificados em Ciência e Tecnologia. A situação é contudo muito diversa em cada um dos países europeus.

O processo político europeu pode estimular e deve apoiar a ampliação de uma base social de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico mais alargada em cada um dos países.

A Europa precisa de mais cientistas e emprego científico. As metas da Estratégia de Portugal não serão alcançadas sem recursos humanos altamente qualificados. A expansão do emprego científico na Europa, assim como a própria expansão do potencial científico qualificado da UE não acompanham as ambições e os objetivos de política definida em Portugal.

Em alguns países, é reduzida a capacidade de atração das novas gerações para o estudo de matérias científicas e técnicas ou para a formação profissional para essas áreas. Noutros é limitada a participação das mulheres no seu potencial científico, cujo aumento parece estar condicionado por estruturas administrativas e políticas sociais adversas. O balanço entre a capacidade de atração de estudantes e de cientistas para a Europa e a saída de cientistas formados na Europa para outros continentes, especialmente para os EUA, não revela o dinamismo que deveríamos esperar de políticas coordenadas na UE. Por fim, também os obstáculos à mobilidade persistem em muitos países e organizações, embora nos últimos anos se tenham verificado progressos assinaláveis.

A troca de experiências entre políticas nacionais e a sua convergência com ações europeias é pois essencial para uma atuação efetiva. A definição de objetivos políticos partilhados em matéria de Recursos Humanos em Ciência e Tecnologia torna-se assim cada vez mais indispensável.

Portugal e Espanha criaram, por iniciativa conjunta, a mais recente Organização científica intergovernamental europeia, sob a forma de um Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL) de grande dimensão, atualmente em instalação em Braga, no norte de Portugal. Este novo Laboratório Internacional, aberto a outros países, afirma-se como polo de atracão de recursos à escala mundial e como um contributo para a afirmação científica europeia neste domínio.

É objetivo da União Europeia contribuir para o movimento de modernização do Ensino Superior na Europa, dando especial relevo à abertura, diversificação e internacionalização das Universidades no contexto de redes de investigação e de formação avançada. As Universidades são um dos mais importantes recursos estratégicos da Europa numa economia e numa sociedade do conhecimento.

Em Portugal em 1995 formou-se pela primeira vez no território nacional, o Ministério para a Ciência e Tecnologia, dando prioridade à investigação e ao desenvolvimento. Em 1997 foi criada a  Fundação para a Ciência e a Tecnologia  (FCT) sucedendo à Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica  (JNICT).

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia  (FCT) tem como objectivo promover o avanço do conhecimento científico e tecnológico em Portugal, explorando assim oportunidades que se levem todos os domínios científicos e tecnológicos a atingir os mais elevados padrões internacionais de elaboração de conhecimento, estimulando a sua difusão.

A ciência avança em Portugal sob a orientação dos cientistas. Em termos de liberdade académica e intelectual, é uma situação muito gratificante para os cientistas poderem submeter projetos que, desde que tenham mérito científico e sejam exequíveis, irão ser apoiados.

A comunidade científica portuguesa deve decidir se quer continuar a fazer investigação a marcar passo, com ocasionais sinais de brilho e projeção internacional, ou optar por uma política de financiamento mais especializada, estruturada em torno de grandes vetores de conhecimento puro, que surgirão pela via da rigorosa seleção pela excelência, ou de grandes objetivos sociais e económicos, ditados pela sociedade como um todo.

A ciência em Portugal no que diz respeito à orientação, a política de investigação científica precisa de um rumo estratégico que garanta a sua relevância e competitividade internacional. Deve encorajar a excelência nos projetos, mas também a escolha de temas mais inovadores e de maior impacto. Deve dar-se primazia à constante renovação das infraestruturas.

Quanto aos mecanismos, a avaliação e seleção deve ser exigente, objetiva e coerente. Deve ser dada maior escala aos projetos, apenas os melhores devem ser apoiados, e deve haver mecanismos para equiparar – e estimular mutuamente – apoio público e investimento privado. O mercado obriga as empresas e os países a inovar, e se a ciência é a matéria-prima da inovação, então também pode ser o seu principal cliente e ter nela uma importante fonte alternativa de financiamento. Finalmente, a gestão da ciência deve reconhecer e implementar as melhores práticas e os mais actuais conceitos.

A avaliação é um componente do processo de construção do conhecimento científico e tecnológico. Esta implica um julgamento da ciência e tecnologia.

A avaliação é realizada a partir dos seguintes critérios: a avaliação é feita sobre uma pesquisa já feita ou por fazer, em relação aos avaliadores, estes podem ser pares ou equipas técnicas, quanto ao modo de avaliação, este pode ser qualitativo ou quantitativo, quanto ao universo, pode-se trabalhar com um universo conhecido ou implícitoe por fim em relação ao tempo, os processos podem ser contínuos ou num determinado período.

A avaliação deve seguir padrões internacionais, a execução dos apoios tem de ser credível e previsível, e deve ser dada liberdade e confiança aos investigadores a nível da gestão dos projetos, ao mesmo tempo que lhes devem ser exigidos resultados.

Em suma, a política de ciência e tecnologia assenta em princípios, define a estratégia (campos de actuação e mecanismos de implementação), os objetivos e ações estratégicas, identifica os intervenientes, as fontes de financiamento e os mecanismos de monitoria e avaliação.

Referências

Portugal. Ministério da Educação e Ciência – Fundação para a Ciência e a Tecnologia- [ Em linha].l [ consult. 2012-11-08]  Disponível em WWW: «URL:http://www.fct.pt/»

Cravinho,João -Para uma política nacionalde ciência e tecnologia ao serviçodo desenvolvimento –[ Em linha]. [consult. 2012-11-13] Disponível em WWW:«URL: http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223989745W7iLU7dn8Xw79OU6.pdf»

Universidade do Porto – Ciência e Tecnologia em Portugal- [ Em linha]. [consult. 2012-11-13] Disponível em WWW: «URL: http://sigarra.up.pt/up/pt/WEB_BASE.GERA_PAGINA?p_pagina=122338 »

Portugal. Ciência, Tecnologia e Inovação-[ Em linha] [consult. 2012-11-13] Disponível em WWW: «URL:http://www.oei.es/divulgacioncientifica/reportajes042.htm »

BAUMGARTEN, MAÍRA -Avaliação e gestão de ciência e tecnologia:Estado e coletividade científica [ Em linha]. [consult. 2012-11-13] Disponível em WWW: «URL:www.ces.uc.pt/rccs/includes/download.php?id=872»

Science the Endless Frontier: Learning From the Past, Designing for the Future – [ Em linha]. [ consult. 2012-12-04]. Disponivél em: URL: http://moodle.uc.pt/mod/resource/view.php?id=9558

One thought on “Política de Ciência e Tecnologia

  1. Segundo um documentário da Universidade do Porto,o panorama da investigação científica em Portugal sofreu, nos últimos quinze anos, uma transformação fundamental. Neste processo, destaca-se a criação, em 1995, pela primeira vez em Portugal, do Ministério para a Ciência e Tecnologia, a definição do governo de uma visão estratégica e a decisão de conferir prioridade elevada à I&D. Estes factores contribuíram para o reforço e desenvolvimento do Sistema de Ciência e Tecnologia. Em 1996, introduziu-se um processo de avaliação sistemático (de três em três anos) baseado em painéis internacionais e independentes e numa cooperação e participação internacional mais activa. Esta abordagem permitiu aumentar o conhecimento internacional da ciência produzida em Portugal e, consequentemente, a reputação internacional da nossa comunidade científica.

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