Investimento em Ciência / Opiniões

O presidente da associação dos investigadores científicos defendeu que, apesar da crise económica, “é importantíssimo” reforçar o investimento em ciência e tecnologia, apostando numa estratégia de longo prazo.

Miguel Jorge referiu igualmente a necessidade de captar investimento privado para a investigação.

O representante dos cientistas referiu ainda a necessidade de captação de fundos privados para a investigação, apesar de reconhecer ser “particularmente difícil” em Portugal, devido às características do tecido empresarial, com pequenas e médias empresas, muitas de caráter tradicional.

A questão, no entanto, “passa por mudar o sistema de incentivos, nomeadamente os fiscais”, defendeu Miguel Jorge.

A carreira dos investigadores foi um dos temas mais focados no debate e é uma questão considerada “essencial para poder haver alguma sustentabilidade e condições de trabalho”.

Existe uma carreira de investigação em Portugal, “embora as contratações de investigadores estejam a ser feitas à margem dessa carreira”, afirmou Miguel Jorge.

“Parecem estar reunidas as condições – pelo menos, há vontade política -, para que haja uma revisão da carreira”, realçou o presidente da associação.

O objetivo é ter um sistema científico “mais competitivo a nível internacional, mas também com mais sustentabilidade e com melhores condições para quem lá trabalha”, resumiu.

Acerca da sustentabilidade económica do sistema científico, “o que nos parece é que há casos de áreas científicas em que é inegável que vai ter de assentar muito em financiamento público, como a investigação muito fundamental, ou que não tem reflexo direto na cadeia de valor económico”, apontou.

Miguel Jorge defendeu, no entanto, que “é preciso dar enquadramento necessário, mesmo legal, a instituições que estão a conseguir gerar valor, mas depois não têm condições para manter os investigadores”.

Para a associação, o modelo de financiamento deve ser uma escolha de cada instituição, mas o governo, o Estado português “deve assegurar as condições de financiamento sustentáveis suficientes”.

 Aquilo que se faz em Portugal está ao nível dos países de referência em matéria de investigação e desenvolvimento? A cultura científica tem progredido? De que forma o crescimento da capacidade científica contribui para o desenvolvimento da economia do país? Será que a crise poderá levar a um desinvestimento na ciência?

Atualmente, em Portugal, aquilo que se faz está ao nível dos países de referência em matéria de investigação e desenvolvimento. Segundo o Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, “o crescimento daquilo que hoje é a ciência não se faz de uma forma exterior à própria sociedade, acompanha naturalmente os níveis de maturidade da cultura científica da própria sociedade”. Para Manuel Heitor, “se hoje temos mais ciência é porque a sociedade portuguesa o deseja”.

João Sentieiro afirmou que “o progresso dos últimos anos é para continuar”

O crescimento da ciência é um processo que “apesar de estarmos a atingir níveis que se começam a aproximar das sociedades mais industrializadas, a acumulação desse conhecimento está ainda aquém daquilo que são as sociedades mais desenvolvidas”, afirmou o Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Por que apoiar C&T? Qual a fração dos recursos da sociedade que deve ser colocada para essa atividade? Como repartir esses recursos entre pesquisa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico? Quais devem ser os mecanismos de apoio? Podem tais investimentos ser feitos de forma ecologicamente segura e compatível com uma sociedade sustentável? Essas são questões duras e importantes que se procurará discutir no

presente artigo. Algumas das respostas são aquelas válidas há 50 anos e têm um forte elemento de permanência. Outras estão em processo de mudança fundamental e sujeitas ao debate e análise internacionais. Por que a ciência deve ser apoiada pela sociedade? Existem muitas respostas para essa questão, de mais amplas a mais localizadas. A mais ampla diz ser a espécie humana essencialmente uma espécie curiosa que por milénios tem transferido um reservatório de conhecimentos de geração a geração. Devemos apoiar a ciência porque é parte de nossa natureza inerente.

As atividades para o bem público devem ser apoiadas por fundos

públicos, enquanto as privadas, pelo setor privado. Evidentemente, existem

interfaces de grande importância entre esses dois setores. Os mecanismos que governam tais atividades ainda não foram adequadamente amadurecidos nos países desenvolvidos, e isso deve ser o foco de sérios esforços. Nos países em desenvolvimento, o principal produto do setor público para consumo do privado é a mão-de-obra altamente treinada

no estado da arte em C&T. Essa mão-de-obra é empregada pelo setor privado na resolução de seus problemas. Esse é o mecanismo mais importante de transferência de C&T do setor público para o privado. Os mesmos indivíduos altamente treinados, através de seus contatos com a universidade, também estabelecem um fluxo de informação na direção oposta, que ajuda a manter a última informada dos desenvolvimentos e necessidades da indústria. Esse fluxo bidirecional de informação deve, no entanto, ser intensificado tanto nos países desenvolvidos quanto nos

em desenvolvimento.

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